Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

BRASIL – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou na sexta-feira (19) uma medida provisória que torna obrigatória a aprovação no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) para o exercício da medicina no Brasil.

Elaborada pelo Ministério da Educação (MEC) em conjunto com o Ministério da Saúde, a medida estabelece o Enamed como instrumento de avaliação da formação médica, acesso à residência e habilitação profissional.

Com a nova regra, a aprovação no exame passará a ser requisito para a inscrição nos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), condição necessária para o exercício legal da profissão.

Além disso, o Enamed também será utilizado como critério de seleção para programas de residência médica e como ferramenta de avaliação da qualidade dos cursos de medicina.

Como será a avaliação

O exame será aplicado em dois momentos da graduação. A primeira etapa ocorrerá ao final do quarto ano e terá caráter diagnóstico e formativo. Já a segunda será realizada ao término do curso e terá caráter eliminatório para o exercício profissional.

Os estudantes que não alcançarem o desempenho exigido poderão realizar novas tentativas em futuras edições da prova.

Quem será afetado pela regra

A exigência valerá apenas para alunos que ingressarem nos cursos de medicina após a publicação da medida provisória.

Quem já estiver matriculado na graduação não será alcançado pela nova regra.

Segundo o governo federal, a medida busca fortalecer os mecanismos de controle da qualidade da formação médica diante da expansão acelerada de cursos de medicina nos últimos anos.

O secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Felipe Proenço, afirmou que a ampliação da oferta de vagas ocorreu, em muitos casos, sem a estrutura adequada para garantir a formação prática dos estudantes.

Resultados acendem alerta

Dados do Enamed 2025 divulgados pelo MEC mostram que 67% dos 39.258 estudantes avaliados atingiram o nível considerado proficiente.

Por outro lado, cerca de 13 mil formandos ficaram abaixo do patamar mínimo estabelecido pelo exame. Na prática, aproximadamente um em cada três participantes não alcançou o desempenho considerado adequado para o exercício da profissão.

A medida também prevê o uso dos resultados do Enamed para avaliar os cursos de medicina.

Instituições com desempenho insatisfatório poderão ser submetidas a medidas regulatórias, como redução do número de vagas ou até mesmo desativação do curso.

Próximos passos no Congresso

O texto ainda estabelece integração entre o Enamed, o Exame Nacional de Residência (Enare) e o Revalida, utilizado para validar diplomas médicos obtidos no exterior.

Por se tratar de uma medida provisória, a proposta já tem força de lei, mas precisará ser analisada e aprovada pelo Congresso Nacional para se tornar definitiva.