MINISTRO FLÁVIO DINO.

MARANHÃO – A história do Maranhão é marcada por domínios políticos de uma família ou um nome, assim ocorreu desde Benedito Leite, passando por Vitorino Freire, a tão questionada supremacia de José Sarney e por fim Flávio Dino. Agora em 2024, o estado entrará em uma nova era, que possibilita o surgimento do domínio do governador Carlos Brandão ou de várias lideranças políticas.

É importante ressaltar que não é possível definir o fim do domínio político de Flávio Dino que teve início em 2012 com a vitória de Edivaldo Holanda Júnior em São Luís e consolidação em 2014 com a sua própria vitória ao Governo até 2023 com sua atuação no Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Desde então, Flávio Dino foi absoluto, reeleição tranquila, vitória ao Senado sem sustos, eleição de aliados e ao chegar no Governo Federal aumentou sua capilaridade. Ao chegar ao STF, sua postura será decisiva para os rumos políticos no Maranhão.

O herdeiro, naturalmente é o governador Carlos Brandão que já assumiu o comando do PSB e vem obtendo as oportunidades de indicações a funções no STF e no TJMA, que Flávio não teve.

Brandão tem 65 anos e provavelmente chegará ao Senado aos 68 anos, podendo se reeleger aos 76 anos, ou seja, um domínio que pode ser próximo dos 20 anos. Para isso, ele já prepara o sobrinho Orleans Brandão para um futuro político.

O irmão Marcus Brandão já comanda o MDB, outro sobrinho, o Daniel Brandão está no TCE e assim outros parentes vão ocupando cargos na estrutura do Maranhão.

Sem contar com os aliados de primeira hora como a presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, Iracema Vale, que é um dos braços de apoio ao governador.

Mas outros nomes também almejam esse posto. O senador Weverton Rocha (PDT), tenta herdar a liderança deixada por Dino. Em Brasília é sempre muito articulado, mas no Maranhão, sofre após a derrota acachapante de 2022 e a traição de Eduardo Braide.

A propósito, o prefeito de São Luís poderia ser um desses líderes, mas seu comportamento a frente da Prefeitura já deixa clara como é sua postura e naturalmente poucos vão aderir ao projeto que não possuem oportunidade de nem se comunicar com o líder.

Voltando para o Weverton, ele pode ainda somar forças com Othelino/Ana Paula Lobato e Juscelino Filho para alcançar o poder politico. O trio é forte, articulado e todos bem astutos.

André Fufuca é outro nome que surge. Antes considerado tutelado por Weverton, agora ele segue seus próprios passos e sabe muito bem onde quer chegar.

Por fim de forma estratégica, outro grupo politico vai avançando no Maranhão. Trata-se da família Gonçalo, tratada apenas como lideranças regionais de Santa Rita/Bacabeira/Pastos Bons. Sem vínculos orgânicos com Dino, Brandão, Weverton ou qualquer outro, eles preparam-se para escrever sua própria história.

Hilton Gonçalo, o líder politico, acumula quatro mandatos no executivo municipal, experiência suficiente para almejar cargos majoritários estaduais. José Gonçalo Filho, o próximo presidente do TRE/MA é um dos mais habilidosos juristas do Maranhão, atuando de forma discreta e com competência. Em breve, também deve ser presidente do TJMA. Celso Gonçalo, presidente do Sebrae/MA é o nome técnico, que desenvolve projetos econômicos e está no comando de umas das entidades mais fortes do estado, assim como é o natural sucessor de Edilson Baldez na Fiema.

Com esse tripé fincado na politica, judiciário e economia, o grupo Gonçalo também prepara uma rede de apoio na base parlamentar e no executivo municipal para ascender a liderança estadual.

O desenrolar dessa ascensão política, jamais pode ser comparada com a de Josimar de Maranhãozinho que ocorreu de forma meteórica e cheia de escândalos de corrupção.

Em 2024, o xadrez político do Maranhão se reinicia com várias possibilidades. Os mais habilidosos e organizados vão deixar seus nomes na história do estado, assim como foram Benedito Leite, Vitorino Freire, José Sarney e Flávio Dino.

(FONTE: DIEGO EMIR)